Limites e comunicação

Como se valorizar, aumentar a autoestima e aprender a dizer não sem culpa

O que fazer quando você sente que dá demais, aceita demais e acaba recebendo menos do que gostaria.

Mão sobre um caderno aberto ao lado de uma xícara de chá

O que fazer quando você sente que dá demais, aceita demais e acaba recebendo menos do que gostaria — nos relacionamentos, no trabalho e na vida.

Por Janaina Rocha

Você já teve a sensação de que está sempre fazendo demais?

Dá atenção demais.

Resolve demais.

Cede demais.

Explica demais.

Ajuda demais.

E, no final, parece que as pessoas se acostumaram a receber muito de você sem necessariamente devolver na mesma proporção?

Talvez você já tenha pensado:

“Eu mereço mais.”

Mais respeito.

Mais consideração.

Mais reconhecimento.

Mais reciprocidade.

Mais paz.

Mas existe uma pergunta que costuma ser bem mais difícil:

Como começar a se valorizar de verdade?

Porque se valorizar não é simplesmente pensar coisas boas sobre você.

É começar a fazer escolhas que combinam com aquilo que você diz acreditar sobre si.

E isso muda tudo.

Como aumentar a autoestima de verdade?

Quando alguém pesquisa “como aumentar a autoestima”, normalmente está procurando uma resposta rápida.

Uma lista de coisas para fazer.

Cinco passos.

Dez dicas.

Uma frase que possa repetir todos os dias.

E algumas dessas coisas podem ajudar.

Mas existe uma parte da autoestima que não acontece apenas dentro da cabeça.

Ela também é construída através da maneira como você vive.

Quando você cumpre uma promessa que fez para si.

Quando respeita um limite.

Quando deixa de aceitar uma situação que sabe que está fazendo mal.

Quando diz não mesmo sabendo que alguém pode ficar chateado.

Quando reconhece uma conquista em vez de diminuir aquilo que fez.

Quando para de se comparar o tempo inteiro.

A autoestima também cresce quando você começa a perceber:

> “Eu posso confiar em mim.”

E talvez essa seja uma das formas mais profundas de se valorizar.

Como se valorizar mais?

Comece observando uma coisa simples:

onde você está se diminuindo para caber na vida de alguém?

Pode ser em um relacionamento.

Na família.

No trabalho.

Em uma amizade.

Até mesmo dentro da sua própria rotina.

Você diz que está cansado, mas continua.

Diz que não quer, mas aceita.

Diz que aquilo te incomoda, mas deixa passar.

Diz que merece reconhecimento, mas não consegue cobrar pelo seu trabalho.

Diz que quer respeito, mas continua aceitando conversas que fazem você se sentir pequeno.

Não estou dizendo que tudo isso acontece porque você “não se valoriza”.

A vida é muito mais complexa.

Mas vale observar uma coisa:

as suas escolhas estão protegendo aquilo que você diz ser importante para você?

Essa pergunta pode revelar bastante.

Como aprender a dizer não sem culpa?

Essa é uma das dificuldades mais comuns quando falamos de autoestima e limites.

Você sabe que quer dizer não.

Mas, na hora, pensa:

“E se a pessoa ficar chateada?”

“E se ela achar que sou egoísta?”

“E se ela parar de gostar de mim?”

“E se eu parecer uma pessoa ruim?”

Então você diz sim.

E depois fica irritado.

Cansado.

Sobrecarregado.

Ou ressentido.

A dificuldade de dizer não costuma estar relacionada justamente ao medo de decepcionar, à culpa e à insegurança sobre as consequências de contrariar alguém. Conteúdos recentes sobre o tema também destacam esse padrão. (Psicólogos Berrini)

Mas existe uma coisa que pode ajudar:

você não precisa transformar todo “não” em uma justificativa enorme.

Às vezes:

> “Não consigo.”

já é suficiente.

Ou:

> “Dessa vez, não.”

Ou:

> “Isso não funciona para mim.”

Dizer não não significa deixar de amar as pessoas.

Significa reconhecer que você também precisa caber nas suas próprias escolhas.

Como impor limites sem culpa?

Limite é uma palavra que muita gente associa a frieza.

Como se estabelecer limites significasse levantar uma parede entre você e o mundo.

Não precisa ser assim.

Um limite saudável não é:

> “Você tem que fazer o que eu quero.”

É:

> “Eu sei o que aceito e o que farei quando isso não for respeitado.”

Essa diferença é enorme.

Se alguém fala com você de uma maneira que considera desrespeitosa, você não consegue controlar o que essa pessoa fará.

Mas consegue decidir se vai continuar naquela conversa.

Se alguém pede algo que você não pode oferecer, você não controla a reação dela.

Mas pode dizer não.

Se uma relação está constantemente ultrapassando aquilo que você considera importante, talvez você não consiga mudar a outra pessoa.

Mas pode decidir quanto dessa dinâmica continuará fazendo parte da sua vida.

Por isso, limites não são apenas sobre controlar o que entra.

São também sobre saber o que você fará quando algo ultrapassar aquilo que é importante para você.

Essa abordagem aparece de forma recorrente nos conteúdos atuais sobre limites: eles são apresentados como uma forma de comunicar necessidades e proteger o próprio espaço, e não simplesmente como uma ferramenta de controle do outro. (Psicóloga Elaine Zuchi)

Como ser respeitado sem precisar ser agressivo?

Talvez você já tenha percebido uma coisa:

Existem pessoas que parecem ser respeitadas sem precisar levantar a voz.

Não porque são mais fortes.

Não porque intimidam.

Mas porque são claras.

Elas sabem o que querem.

Sabem o que não querem.

Não mudam de opinião a cada reação do outro.

Não precisam explicar cada decisão.

E, principalmente, sustentam aquilo que dizem.

Você pode falar:

> “Eu não aceito isso.”

Mas, se cinco minutos depois volta atrás porque ficou com medo da reação, sua mensagem perde força — inclusive para você mesmo.

Por isso, respeito não começa apenas na maneira como os outros tratam você.

Começa também na confiança que você desenvolve para sustentar suas próprias decisões.

Como parar de agradar todo mundo?

Essa talvez seja uma das mudanças mais difíceis.

Porque agradar pode parecer uma qualidade.

Você é gentil.

Prestativo.

Disponível.

Considerado.

E isso é bonito.

O problema começa quando agradar significa não conseguir mais contrariar ninguém.

Quando você percebe que está dizendo sim não porque quer, mas porque não suporta a possibilidade de alguém ficar decepcionado.

Nesse momento, vale perguntar:

“Estou sendo gentil ou estou com medo?”

Às vezes são coisas completamente diferentes.

Você pode continuar sendo uma pessoa boa sem estar disponível para tudo.

Como se valorizar em um relacionamento?

Talvez seja aqui que tudo fique ainda mais delicado.

Porque quando gostamos muito de alguém, nossa capacidade de perceber algumas coisas pode mudar.

Começamos a ceder.

Depois cedemos um pouco mais.

Esperamos.

Justificamos.

Perdoamos.

Tentamos entender.

E, às vezes, começamos a viver em função de manter aquela pessoa perto.

A pergunta passa a ser:

“O que eu preciso fazer para ela não ir embora?”

Talvez seja melhor trocar por:

> “Essa relação também está me fazendo bem?”

Isso não significa abandonar uma relação diante de qualquer dificuldade.

Relacionamentos exigem negociação.

Paciência.

Mudança.

Crescimento.

Mas existe uma diferença entre construir uma relação e desaparecer dentro dela.

Você também precisa existir.

E ser respeitado.

E ter voz.

E ter necessidades.

Você merece mais ou está aceitando menos?

Essa é uma pergunta desconfortável.

Mas talvez seja uma das mais importantes.

Porque podemos passar muito tempo dizendo:

“Eu mereço mais.”

Sem perceber que continuamos aceitando exatamente aquilo que nos faz sentir que merecemos menos.

Isso não significa culpar você por tudo o que acontece.

Não é isso.

Significa reconhecer que existe uma parte da sua vida que está sob sua responsabilidade.

Sua escolha.

Sua resposta.

Seu limite.

Sua presença.

Seu posicionamento.

E é nessa parte que existe espaço para mudança.

O que significa realmente dizer “eu mereço mais”?

Para mim, não significa:

“A vida me deve mais.”

Significa:

> “Eu preciso começar a viver de uma maneira mais coerente com o valor que reconheço em mim.”

Se eu digo que mereço respeito, preciso aprender a reconhecer quando uma situação ultrapassa esse limite.

Se digo que mereço reciprocidade, preciso perceber quando estou carregando uma relação sozinho.

Se digo que mereço paz, preciso observar o que estou permitindo ocupar constantemente meu espaço mental.

Se digo que mereço reconhecimento, talvez precise aprender a comunicar melhor o valor que entrego.

Merecimento começa a ficar real quando sai da frase e entra na escolha.

Foi dessa ideia que nasceu o EU MEREÇO MAIS™

Foi observando justamente essa distância entre saber que merece mais e conseguir viver de acordo com isso que nasceu o EU MEREÇO MAIS™ | Exercícios Práticos de Merecimento.

O material foi criado para transformar esse tema em prática.

Não é um livro para dizer apenas:

“Você é incrível.”

É um conjunto de exercícios para ajudar você a perceber:

onde está se diminuindo;

onde está aceitando mais do que gostaria;

onde precisa de clareza;

onde precisa dizer não;

onde precisa se posicionar;

e onde precisa começar a sustentar suas próprias decisões.

A proposta é trabalhar cinco pilares:

Essência. Clareza. Posicionamento. Limites. Consistência.

Com a Presença no centro.

Porque não adianta saber o que você merece se, na hora de agir, você abandona aquilo que sabe.

Não é sobre se tornar uma pessoa mais dura

Talvez você esteja pensando:

“Então preciso aprender a ser mais fria?”

Não.

Você pode continuar sendo sensível.

Pode continuar sendo generoso.

Pode continuar amando.

Pode continuar ajudando.

Pode continuar acreditando nas pessoas.

A questão é não precisar abrir mão de si para continuar fazendo tudo isso.

Você não precisa endurecer o coração para fortalecer a própria posição.

Pode aprender a dizer:

“Eu entendo você.”

e, ao mesmo tempo:

“Mas isso não funciona para mim.”

Pode dizer:

“Eu gosto de você.”

e:

“Não aceito ser tratado dessa maneira.”

Pode dizer:

“Eu quero ajudar.”

e:

“Hoje não consigo.”

Isso é maturidade.

Não frieza.

Talvez você não precise de uma nova versão de si

Talvez precise apenas parar de negociar contra si mesmo.

Essa é uma das ideias que orientam o trabalho da Jornada dos Essenciais.

Não se trata de construir uma personalidade nova.

Trata-se de voltar para aquilo que você já sabe que é importante.

Sua voz.

Sua essência.

Seus valores.

Seus limites.

Seus desejos.

E começar a viver com um pouco mais de coerência entre aquilo que você sente, aquilo que pensa, aquilo que fala e aquilo que faz.

Porque talvez “eu mereço mais” não seja sobre conseguir mais de todo mundo.

Talvez seja sobre parar de viver como se você merecesse menos.

Comece por uma coisa hoje

Não tente mudar sua vida inteira.

Escolha uma situação.

Uma.

E observe:

Onde estou dizendo sim querendo dizer não?

Onde estou aceitando menos do que gostaria?

Onde estou me explicando demais?

Onde estou esperando que alguém reconheça algo que eu preciso começar a reconhecer em mim?

E depois escolha uma pequena atitude diferente.

Talvez seja uma conversa.

Talvez seja um não.

Talvez seja um pedido.

Talvez seja simplesmente parar de fazer alguma coisa que você já sabe que não quer continuar fazendo.

Não precisa ser perfeito.

Precisa ser verdadeiro.

Conheça o EU MEREÇO MAIS™

EU MEREÇO MAIS™ | Exercícios Práticos de Merecimento foi criado para quem quer fortalecer autoestima, aprender a se posicionar, estabelecer limites e construir uma relação mais coerente com o próprio valor.

Não importa se você é homem ou mulher.

Se a sensação de “eu dou muito e recebo pouco”, “eu não consigo dizer não”, “as pessoas não me respeitam como eu gostaria” ou “eu sei que mereço mais, mas não consigo mudar” faz parte da sua vida, talvez esse material possa ajudar você a começar.

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Janaina Rocha | Jornada dos Essenciais

Você não precisa se tornar outra pessoa. Precisa voltar para si.

Respira.